segunda-feira, 13 de novembro de 2017

ODIADEMERDA



Vouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligarvouligarnãovouligar

E mais um dia se passou.

Ansiedadecaféchocolateemaisumpoucodeansiedade.

Dia de merda.

Olhoocelularenadademensagensmascomovocêquermensagenssebloqueounowhats?masseelaaindalutassepormimtinhamandadosmsouligado.

Amanhã começo o curso novo na faculdade. Curso de bacharelado em amor próprio.

TheSmithstocandonavitrolaevamoscomeraquelemolhopestocompãoquefizpraela.

Sinto orgulho pela primeira vez na vida, não liguei pra ela, me segurei.

Masodiapassouevocênãosesentiumelhormesmoassimcontinuousesentindovazioeperdidoeumbosta.

Vai passar.

Tem que passar.

Uma hora passa.

Gustavo Campello

sábado, 11 de novembro de 2017

M & B: CORAÇÕES & MUDANÇAS



ATO I

- Agora meu coração está completo – M entrou na sala e achou que devia falar algo, estava com um sorriso no rosto – e eu simplesmente não consigo explicar, portanto nem vou tentar.

- Há! Eu ainda não sei pelo que eu estava esperando – B disse sem pensar, mas era o que estava passando pela sua cabeça – e meu tempo estava passando muito rápido.

- Hummmm.... acho que então vai haver algum problema – M olhou ao redor – uma casa inteira precisará ser reconstruída.

- Mudança! – gritou B – Vire-se e encare o estranho!

M se virou e não viu nada, quando voltou sua atenção B já não era o mesmo.

- Ah, mas, Bunnie, eu te adorava!

- Só tenho que ser um homem diferente – levantou-se e se olhou no espelho – o tempo pode me mudar, mas eu não posso enganar o tempo.

- Estou cansado de novo, eu tentei de novo e...

B colocou o dedo na boca de M, não deixou que continuasse.

- Mudanças estão tomando o ritmo pelo qual estou indo.

ATO II

- Nosso elo de confiança foi abusado – M fazia suas malas e tentava esconder as lágrimas que escorriam do seu rosto – algo de valor pode se perder.

“Fico imaginando se um dia ele vai saber” – B pensa sem coragem de se expressar em voz alta – “que agora ele anda atrás do seu sonho naufragado”.

- Porque perder bons momentos brigando com as pessoas que você ama?

“Existe vida em marte?” – B não presta mais atenção, sua mente não está mais ali.

- Mas agora você só me chama quando está se sentindo deprimido!

- É um pequeno e terrível caso – B estava realmente diferente – está espancando o cara errado!

M deu-lhe uma bofetada na cara e foi embora.

ATO III

M andava pelas ruas e sua mente estava a mil por hora:

“Não desenterre meus erros, eu sei exatamente quais são eles. E o que você faz? Bem... você só fica sentado aí e eu tenho sido apunhalado pelas costas tantas e tantas vezes. Eu não tenho mais nenhuma pele, mas é assim que são as coisas...”

Enquanto isso B sentado em sua poltrona, olhava para seu novo rosto e pensava – “Estou afundando na areia movediça do meu pensamento e não tenho mais o poder”.

Nunca mais se viram.

Gustavo Campello
Diálogos tirados das músicas:
Morrissey: Now My Heart is Full / Hold On To Your Friends / Why Don't You Find Out For Yourself
David Bowie: Changes / Life on Mars? / Quicksand

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

MAIS FÁCIL TEU CU!




E então se passaram 20 anos, duas décadas... um tempão! Tempo pra cacete!

Lembro que me disseram que com o tempo ficava mais fácil, mais fácil teu cu, a dor é a mesma, a falta é a mesma, o vazio que ficou continua ali, sem preenchimento nenhum. O mais engraçado é que nem lembrei que era hoje, passou batido, mas mesmo assim tinha falado dele hoje, no trabalho. Ele sempre é assunto, não importa quanto tempo passe vai estar sempre ali, na minha memória, nos meus assuntos, na minha vida.

Os olhos escuros, quase pretos, difícil de distinguir as pupilas, iguais aos meus... a semelhança física para por aí... alto, gordo, careca (to chegando lá), orelhudo (opa, não é que a semelhança não parou por ali), aquele jeito irlandês alegre com um copo de cerveja celebrando qualquer bobagem que a vida mandava...

Lembro-me da sua voz e dos abraços, o que não daria hoje por um daqueles abraços? Um braço? Uma perna? Um olho?

A gente sobrevive à morte dos nossos, mas isso não significa que nos habituamos, que fica mais fácil, que com o tempo a dor vai embora... ela continua ali, a gente pode até não pensar nela, mas se pararmos pra dizer um “olá” a gente chora que nem criancinha de novo, como se estivesse lá atrás... 20 anos!

Se eu fosse metade do homem que ele foi... com seus enormes defeitos, com suas pisadas de bolas, com seus arrependimentos, tristezas e aquele enorme coração que o tornava único. Hoje consigo perceber em quantas coisas éramos diferentes e mesmo assim continuo a amá-lo do mesmo jeito. Com seus erros e acertos, será sempre um exemplo.

Ao longo do meu caminho, errei como ele, acertei como ele...

Obrigado, por tudo, mesmo. 

Gustavo Campello

terça-feira, 26 de setembro de 2017

ATÉ O FIM DO MUNDO



Tudo indo pelo ralo, como um redemoinho de sentimentos, como o som de um violino ao meio de um piano que não para de tocar mesmo quando seu fígado pede um break após um porre colossal.

A dor no peito é só um pequeno atrativo em relação à realidade atual e as paralelas que nada significam, pois o vórtex temporal quer regurgitar as mesmas coisas, quer que você viva a mesma vida de novo e de novo e de novo e de novo e assim sucessivamente.

Nenhuma vida é única, as vidas se repetem de novo e de novo e de novo para sempre ao infinito. A monotonia e a rotina já fazem parte de você e quando acorda e cai na real é realmente algo ruim? É realmente tão horrível assim viver a vida de outra pessoa?

Duendes mecânicos tentam e tentam fazer com que tudo seja igual, mas isto é ruim? Eles são os vilões da história? Eles são os bad boys ou simplesmente representam uma força da natureza que tenta te salvar do sofrimento? De viver aquilo que só serve para te machucar? De sentir aquilo que só serve para te fazer desistir de sentir e existir?

Os duendes mecânicos são os servos do Deus Fungo ou são o teste definitivo do despertar?

O maquinista está morto para sempre?

O túnel jamais será fechado, crianças irão nascer de um jeito ou de outro no mundo posterior.

Choros estridentes serão para sempre ouvidos ou chegará o dia em que cessarão para sempre?

Será que alguém percebeu o grande espaço de tempo que ficou sem que uma criança nascesse? Segundos, talvez. Minutos? Ainda assim um tempo considerável entre a escolha de um novo maquinista. Segundos de eternidade ou minutos que representam um buraco negro no meio do infinito.

A travessia não pode parar.

O sonho jamais pode acabar.

Violinos, teclados e saxofones irão tocar ainda por um bom tempo, de maneira diferente, mas mesmo assim serão tocados, de um jeito ou de outro.

Duendes mecânicos, o maquinista, almas, tristezas, sonhos, sem-corações, seres e deuses interpretarão seus papeis por muito tempo até que tudo esteja acabado.

No fim do infinito.

Na última nota de um violino.

Quando o amor morrer.

Abemus um novo maquinista, mas será ele?

Gustavo Campello

sexta-feira, 26 de maio de 2017

quarta-feira, 24 de maio de 2017

SOU O QUE NÃO DEVERIA SENTIR



Sinto o que não deveria ser

Hoje faz dois meses que te vi pela última vez, precisava escrever algo, mesmo que eu tenha parado com o blog pra rever algumas coisas sobre mim.

As pessoas dizem que eu tenho que te esquecer, que você não me merecia e que não vale a pena sofrer por quem não merece a gente.

Eu não escolho sofrer, não é algo que eu queria, mas é algo que eu aceitei. Resolvi sofrer por você, não importa se você já nem se lembra de mim, não importa se sua mão hoje acaricia o corpo de outro homem e que eu seja uma memória distante. Eu te amo e não posso simplesmente fingir que esses últimos anos não aconteceram, é da minha natureza ser como eu sou, sentir como eu sinto e sofrer como eu sofro. Decidi não tentar mais renegar isso, esse sentimento que me corrói.

As pessoas hoje são assim, se desprendem uma das outras, apagam memórias como se apaga um erro gramatical com uma borracha no colegial. Você já me apagou tantas vezes durante esses anos todos que sinto raiva de não conseguir fazer o mesmo. Não quero sentir raiva.

Quero aceitar o que sinto.

As pessoas acham que sou idiota.

Não sou idiota.

Sinto e enxergo o mundo de maneira diferente da maioria, só isso. Não consigo apagar o amor que inflamou meu peito durante mais de meia década com a facilidade que você conseguiu, com a facilidade que a maioria das pessoas conseguem. Não desisto de quem amo e não acredito que quem ama desista.

Sou o monge da fábula com o escorpião.

Vou ser picado a vida inteira.

Não ligo mais, só quero aceitar quem sou, aceitar o que sinto, aceitar...

Você tentou fazer com que eu acreditasse que me amava, mas desistiu de mim da maneira mais simples que poderia, o amor é incondicional, perdoa, segue em frente, faz de tudo pra continuar vivendo, exatamente como um moribundo sentenciado a guilhotina se apega a vida. Como sempre fiz. Fui um moribundo condenado a guilhotina, acreditando que o amor existia, que lutaria e que prevaleceria. Acho que não preciso provar meu amor, nunca precisei, te perdoei mais do que devia, segui em frente mais do que aguentava... tão em frente que agora não tenho forças pra voltar, não guardei fôlego para o caminho de volta.

Solidão.

Solidão por todos os lados.

Olho pro lado da cama e sei que você nunca mais vai estar ali, mesmo que ainda te enxergue todo dia ali ainda.

Sinto-me culpado por sentir o que sinto, não quero sentir culpa pelos meus sentimentos, não quero mais ouvir que estou errado por sentir o que sinto, que devo sentir o que sinto de outro jeito, que devo fazer isso ou aquilo para parar de sentir as coisas como sinto. O sofrimento não funciona assim, não vai mudar se agir como as pessoas pensam que devo agir ou como as outras pessoas agem nessas situações. Não sou o fulano que diz que tem um monte de boceta por aí me esperando, não sou o cicrano que diz que tenho que me abrir para outra pessoa. Não sou assim. Simplesmente não sou assim.

Não beijo uma pessoa que acabei de conhecer.

Não durmo com alguém por quem não sinto nada.

Não pertenço à sociedade de hoje.

Não pertenço a esse mundo que não faz sentido para mim.

Meu mundo é outro.

Mas meu mundo não existe mais.

Amor.

Gustavo Campello
Ilustração da artista Sarah Maxwell

domingo, 26 de março de 2017

ATÉ MAIS, E OBRIGADO PELOS PEIXES!



Não vejo mais sentido em escrever, na verdade não vejo mais sentido em muitas coisas. Cansei de ser uma pessoa desperta em um mundo onde todo mundo está dormindo, quero ser um zumbi, me satisfazer em viver em um presídio com muros invisíveis. Quero abraçar a “normalidade” da apatia, o senso comum dos alienados, assistir Fantástico domingo à noite, votar em qualquer boçal e me sentir aliviado porque posso colocar a culpa de qualquer coisa que dê errado no PT... enfim, quero ser um zumbi da ignorância.

Por isto este é o último texto.

Desisti!

Chega!

Minha vida agora é ir para o trabalho, voltar pra casa e dormir, e no dia seguinte tudo se repete, de novo, de novo e de novo. E estou muito bem assim.

Olho-me todo dia no espelho e me sinto um lixo. Definitivamente desisti do amor, consequentemente quero aproveitar a deixa e desistir de todo o resto. Deixar de viver para apenas existir como a maioria das pessoas neste mundo egoísta e caindo aos pedaços.

Foi péssimo enquanto durou.

Até mais, e obrigado pelos peixes!

Gustavo Campello