sábado, 29 de agosto de 2015

AMOR "JEN" EGOÍSTA X AMOR "IMALA" ALTRUÍSTA



- Como você sabe que ama Imala? – Ferzan não queria gerar polêmica, afinal, ele mais do que todos, tentava ficar longe de polêmicas.

- Oras... – Bram foi pego desprevenido pela pergunta – Eu simplesmente sei.

Ferzan percebeu o constrangimento da pergunta e quis mudar logo o assunto, mas Bram odiava quando o amigo tentava evitar discussões, como se vivesse a vida pisando em ovos.

- Lembra da Jen? – pronto, o assunto estava de volta e não tinha nada que Ferzan podia fazer, o guitarrista fez que sim com a cabeça – então, eu não amava Jen.

- Você ficou bem mal quando ela foi embora.

- Exato, este é o meu ponto!

- Quer dizer que se Imala for embora você não vai ficar mal?

- Não, obviamente vou ficar pior.

- Que tipo de argumento é esse? – Ferzan agora achava que Bram estava bêbado ou algo do tipo.

- O que quero dizer é – Bram procurava as palavras certas – quando Jen se foi eu fiquei mal porque estava perdendo ela e não necessariamente porque ela estava indo embora. Jen me fazia falta, mas todos os meus sentimentos eram sobre mim e não sobre Jen. Eu fiquei mal por puro egoísmo, não estava dando à mínima se era o melhor pra ela, todo o sentimento que aflorava era sobre eu estar sem a Jen... e não de como Jen estava se sentindo.

- Certo, mas qual a diferença se Imala se for? Realmente acredita que vai ser diferente?

- Se eu perceber que ela vai ser mais feliz longe de mim, bem, vou me despedaçar aos poucos, mas vou querer ela bem longe de mim, só quero ver ela mais e mais feliz. Acho que isto é amor, sei lá... por isso acho que amo Imala e não amava Jen, são coisas diferentes.

- Egoísmo contra altruísmo?

- Algo do tipo.

- Você está sendo idiota, não existe este tipo de amor.

- Se Imala entrasse por esta porta agora e dissesse que precisaria de mim longe pra ser feliz eu iria embora na mesma hora.

- Jura? – Ferzan parecia não se importar mais com a polêmica.

Antes que Bram jurasse Imala entrou e foi em sua direção, disse algo em seu ouvido, ele sorriu e os dois saíram de mãos dadas sem falarem mais nada.

Ferzan terminou a cerveja e foi pra casa masturbar o ego tocando guitarra.

Gustavo Campello

quarta-feira, 22 de julho de 2015

ME LEVE PARA LONGE (CINCO ANOS - BALANÇO GERAL)


Para Cristine

Hoje faz cinco anos que lancei minha primeira crônica (Meu Tio é um Bundão), lembro que eu estava em Sorocaba e era lá pra meia noite e meia. Havia acabado de voltar da casa do meu primo, foi a última vez em que eu estive lá, comendo pizza, bebendo vinho e jogando vídeo game com ele, pela primeira vez na vida não havia perdido no futebol, tinha conseguido um empate. Voltei pra casa meio alto, meu sobrinho (com seus oito anos) me enchendo o saco, resolvi escrever uma crônica e postar no blog (que já tinha sido criado, mas não tinha crônicas ainda), peguei o notebook da minha namorada que me incentivava muito a escrever, assim surgiu As Crônicasde Scaglia, uma série com mais de 70 crônicas que eram bem autobiográficas.

Então muita coisa aconteceu nesse meio tempo, uma era de trevas, o fundo do poço, nem sei como comentar, mas este é um post pessoal, é um balanço 100% real. Meu primo, que em muitos momentos era mais meu irmão que minhas irmãs, faleceu em menos de cinco meses depois da primeira crônica, meu namoro terminou na mesma época, de volta as bebedeiras constantes minha vida não parecia sair do lugar. Tá tudo aí, nas crônicas, é só ter um olho clínico que tu acha as coisas por que passei.

Então resolvi virar a mesa, a morte do meu primo havia me mudado de alguma maneira, enterrou toda a raiva, frustração, ódio, negatividade e mais tantas coisas com ele, lógico que só depois de muita terapia com o Dr. Oswaldo. Nunca parei de escrever, persisti escrevendo, terminei o livro (ainda não publicado) e as crônicas continuaram. Retomei minha relação com a minha filha, que é e sempre foi a coisa mais importante pra mim (pra quem dedico essa crônica). Não acho que ela lê o blog, mas a ideia é que um dia ela leia e possa me conhecer melhor. Eu trocaria qualquer pessoa por ela: pai, mãe, irmã, primo, cachorro, namorada... enfim, e é por isto que eu chamo ela de filha. Nossa relação pode ser das mais esquisitas para os olhos dos outros, morando distantes, ficado tanto tempo sem nos ver, e tantas outras coisas, mas é uma relação forte. Busquei ela esta semana de um intercâmbio na Alemanha, dez meses lá fora neste mundão, cada vez mais eu tenho muito orgulho dela e não consigo imaginar minha vida sem a ter conhecido. Queria poder fazer muito mais do que faço. Ela, por si só, já faz os últimos cinco anos terem mais ganhos que perdas. Uma das minhas crônicas favoritas é a (Ausente), que escrevi pra ela e provavelmente ela nem saiba ainda.

Mais recentemente teve o câncer da minha irmã e continuei escrevendo. Namoro problemático e continuei escrevendo. Meu cachorro que ilustrou o conto (NovaVida, Novo Começo) ficou muito doente e depois de um intenso tratamento que me zerou os bolsos fugiu na mesma semana que minha irmã operava, tentei desesperadamente encontra-lo, postei fotos pelas ruas, mas até hoje nada dele aparecer, mas continuei escrevendo. Depois de doze anos tentando me formar, tirei o diploma, sem deixar de escrever. Enfim, escrever tem sido minha vida, mas eu tava com uma vontade louca de encerrar o blog hoje (mas mudei de ideia).

Veio a promoção 5 anos 5 livros que realizei aqui e foi a maior frustração de todos esses cinco anos de blog, ver o tão pouco de pessoas que participavam me broxou (Porra! Era livro de GRAÇA, era só compartilhar, mas ninguém compartilhava), teve um sorteio entre cinco pessoas mais ou menos (Bem sugestivo: 5 anos 5 livros 5 participantes, patético). Pela primeira vez deu vontade de parar com tudo, desencanar do blog, desencanar de escrever, porque ninguém vai ler mesmo. Na verdade, acho que ninguém nem chegou até aqui. Mas não vou parar com o blog, decidi não escrever pra ninguém, nem pra mim, vou escrever pra registrar o que eu penso, quem eu sou, como eu vejo o mundo, pra se um dia, seja minha filha, minha namorada, meus sobrinhos, amigos ou quem quer que seja resolver querer saber algo sobre mim, bem, está tudo aqui, é só ler, explícito ou nas entrelinhas, 100%, um enorme quebra cabeças que se chama Gustavo Campello. Escrevo pra família, seja ela de sangue ou não, porque é tudo o que temos (talvez pra família de sangue bem menos).

Obrigado a todos que leram, e se tu leu até aqui, escreva “Idiota” nos comentários, não seja tímido. ;)

Gustavo Campello

quarta-feira, 8 de julho de 2015

AH, ORDINÁRIO!



É engraçado como a gente cresce e nem percebe.

Nestas últimas semanas percebi, depois do Zeca Camargo dizendo que é preciso ouvir mais Cazuza e Michael Jackson do que sertanejo, e mais recentemente, a repórter Monica Iozzi veio dizer a mesma coisa sem mencionar o Michael Jackson. Esta é a mentalidade de um adolescente chato pra caralho de quinze anos que quer ditar regras, que quer se afirmar dizendo que o que ele lê, ouve e assiste faz dele melhor do que você.

Graças a Deus eu cresci, imagina chegar com a idade do Zeca Camargo e da Monica Iozzi assim? Credo!

Quando tinha meus quinze anos ouvia rock, e me achava o tal: Metallica, Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains, Aerosmith, R.E.M. e tantas outras bandas tocavam no aparelho de som sem parar para desespero de meus pais e irmãs. Vestia-me de preto e xingava pagodeiro, falava que eram ignorantes, que isso ou aquilo. Típico adolescente chato querendo se impor pra um mundo que não dá a mínima.

Daí com dezessete anos descobri algumas coisas diferentes: Nina Simone, Frank Sinatra, Bobby Darin, Johnny Cash, David Bowie, Lou Reed, David J. e vários outros que saíam um pouco do o rock pesado e criavam coisas misturando jazz, blues, soul, country e outras coisas. Continuava achando pagodeiro idiota, mas falava menos, me importava menos, tentava impor menos meus gostos pra um mundo que eu percebia cada vez mais que tava se lixando.

Hoje, com trinta e quatro anos, percebi que já faz um bom tempo que deixei de lado aquela coisa adolescente de só ouvir música estrangeira e descobri várias outras coisas ao longo dos anos que passaram tão rápido: Almir Sater, Ney Matogrosso, Cartola, Tom Zé e tantos outros. Continuo não gostando de pagode, não curto funk, também não me desce o sertanejo comercial (prefiro o de raiz pouco divulgado nas mídias). Daí morreu um sertanejo que eu não conhecia (é, to falando do Cristiano Araújo) e parece que todo mundo resolveu cagar regra.

“Mais Cazuza, menos Cristiano Araújo”

“Mais Michael Jackson, menos sertanejo”

Oras, apesar do meu gosto musical ser extremamente eclético, nunca me desceu Cazuza, nem Michael Jackson, e agora? Porque ainda não me desce pagode e sertanejo vou começar a dizer por aí que é preciso ouvir mais Tom Zé e Cartola? Isso é demagogia barata, cresci e continuo ouvindo Nirvana, mas parei de ouvir só Nirvana. Cresci e agora escuto Cartola, mas não escuto só Cartola. Acho que todo mundo pode e deve escutar aquilo que quiser, o que agrada seu ouvido, o que der na telha. Se alguém quiser vir comparar Cristiano Araújo com meu David Bowie (Afinal de contas não foi o Paulo Coelho que veio se comparar com o James Joyce?), aí a conversa é outra, mas eu já estou velho demais pra essas discussões.

Não vou entrar em discussões sobre aquilo que a mídia insiste em te colocar dentro de determinados padrões, porque não é assim só com música, é assim com cinema, literatura e várias outras coisas. A discussão é extensa, mas se a pessoa quiser ouvir funk, ler Guerra dos Tronos, assistir Velozes e Furiosos e se achar o máximo, bem, o problema é da pessoa e ninguém tem nada haver com isso. Amadureci, não da pra dizer o mesmo do Zeca Camargo e companhia. To fora de discussões extensas deste tipo!

Gustavo Campello
Fingindo que não entrou na discussão e se sentindo maduro

sexta-feira, 3 de julho de 2015

PROMOÇÃO 5 ANOS 5 LIVROS (ENTRE A NEVE E O DESERTO)



Quinto e último livro da promoção de cinco anos do blog, onde em cada mês irei sortear um livro até julho, quando o blog efetivamente faz aniversário. Neste mês temos como quinto livro sorteado ENTRE A NEVE E O DESERTO da escritora gaúcha Gisela Rodriguez, que apesar de termos nos visto poucas vezes posso chamá-la de amiga (e uma das pouquíssimas pessoas que já leu meu romance ainda não publicado). O livro tem um valor pessoal muito grande pra mim, e foi por isto que escolhi ele pra fechar com chave de ouro a promoção, conta a história de Gabriel, que perdeu o seu primo. Lembro que quando perdi meu primo, que era como um irmão pra mim, e fui contar pra Gica, ela já estava no meio do livro, é uma dessas coisas misteriosas do universo que convergem as pessoas. O livro da editora Libretos tem 248 páginas, espero que o(a) ganhador(a) goste, pois é um dos meus preferidos!

Entre a Neve e o Deserto - Três jovens mergulham em uma trip literária e existencial. Procuram desenvolver a criatividade através das drogas. Em uma vida nômade, tendo como bússola os textos de seus heróis. Os escritores malditos. No entanto, um trágico desfecho transforma o mundo do protagonista. De volta à sua terra natal, Gabriel deverá reinventar o seu caminho em uma realidade da qual nunca quis fazer parte. Entre a neve e o deserto une aventure e existencialismo. Rock e crítica social, sonhos adolescentes e dilemas reais de personagens inadaptados à rotina convencional.

A promoção é fácil, pra participar tem que estar curtindo nossa página no Facebook clicando AQUI!, depois de curtir nossa página no Facebook é só compartilhar publicamente o banner igual ao da foto aí de cima e pronto, você automaticamente está participando do sorteio. Boa Sorte!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

NEIL YOUNG



Foi em 1993, quando tinha 12 anos, que Vitor conheceu o Neil Young... bem, não que ele tenha conhecido pessoalmente, mas ouviu algo com ele, havia assistido um filme com o Tom Hanks e gostado muito. Comprou o CD do filme por causa de uma música do Bruce Springsteen que estava fazendo sucesso. Foi seu primeiro CD na vida, não havia comprado nenhum antes e muitos vieram depois. Mas sua música preferida não era a do Bruce que estourou, mas sim de um tal Neil Young, que nunca ouvira falar e cujo título tinha o mesmo nome do filme: Philadelphia.

O tempo passou e ele esqueceu do tal Neil Young até o ano de 1997, quando tinha 16 anos e descobriu uma banda dos anos 60 chamada Buffalo Springfield. Havia estreado na Sony a série Dark Skies, uma espécie de irmã mais nova de Arquivo X, o capítulo piloto terminava com o Buffalo Springfield tocando a famosa For What It’s Worth, mostrando os protagonistas na estrada fugindo de uma conspiração alienígena que havia matado o presidente Kennedy.

Vitor ficou obcecado por esta música e conseguiu o primeiro CD do Buffalo Springfield em arquivo digital no Napster. Não demorou muito pra descobrir que o guitarrista da banda era o Neil Young, mesmo cara daquela música que ele sabia cantar de cor do filme com o Tom Hanks. Descobriu ainda que ele também era o compositor de Cinnamon Girl, aquela música que o Type O Negative fazia cover no CD que ele tinha. Pronto, Neil Young era um cantor obrigatório a partir daí.

Quando ele confirmou presença no Rock in Rio III, Vitor sabia que faria de tudo pra assistir e que seria um show que contaria para seus netos (se viesse a tê-los um dia). Estava lá na grade, na primeira fileira, mas não tinha grandes expectativas, imaginou que por ele já estar velho, veria um show calmo de um velhinho sentado em um banquinho, fato que se mostrou completamente equivocado quando Neil entrou no palco tocando Sedan Delivery, aquilo sim era rock and roll baby, o resto é resto.

O cara parecia o Wolverine, envelheceu que nem vinho, pulava e tocava como ninguém, a guitarra era uma extensão do seu braço. Até hoje Vitor não deve ter visto um guitarrista ao vivo como ele. Já emendou a segunda música tocando Hey Hey, My My (Into The Black), uma das preferidas de Vitor.

Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye.
Hey hey, my my.

O Rock and Roll nunca esteve mais vivo. Veio Love and Only Love e na sequência Cinnamon Girl, tão conhecida de Vitor. Em determinado momento do show a corda da guitarra estourou, exatamente como acontecia com Vitor, mas com a diferença que esta talhou o braço de Neil Young, do cotovelo até metade do braço. Sangue escorria e pingava e o show não podia esperar, Neil Young continuou tocando ainda melhor do que antes, ignorando qualquer dor que pudesse estar sentindo. Vitor foi ao delírio, um monte de gente que estava longe nem devia ter reparado no fato, mas Vitor estava na primeira fila e assistia tudo aquilo guardando na memória cada segundo. O braço sangrando, Neil Young tocando guitarra e cantando Fuckin’ Up.

Foi um dos melhores shows que ele já assistiu, quando acabou ficou um gostinho de quero mais, por pelo menos mais duas horas seguidas. Encontrou Marcel e voltaram pra casa a quilômetros de distância. Havia acabado mais um dia de Rock in Rio, o último de Vitor. Hora de voltar pra realidade, encarar o cursinho e pensar no que diabos iria prestar no final do ano pro vestibular.

Gustavo Campello

sábado, 13 de junho de 2015

O PRIMEIRO HOMEM (O SEGUNDO TAMBÉM) E A PRIMEIRA MULHER



Poucos sabem, mas Bohus foi o primeiro homem do Edifício, não havia ninguém por lá ainda, aquela enorme construção de concreto pairava vazia, sem sons, sem cheiro, sem nada. O concreto frio em contato com a pele de Bohus o fez sentir um arrepio, mas não era um arrepio de frio, mas um arrepio de medo. Estava completamente sozinho na maior construção que já existiu e que se tem notícias.

O resto foi puro instinto, aprender a mexer nas coisas que lá havia, ligar a máquina de café, abrir um saco de salgadinhos, tudo foi automático como se ele fosse a engrenagem de uma máquina gigantesca, uma parte integrante que sempre existiu, não um ser pensante que havia acabado de se materializar por ali.

Bohus não era um Adão, como diria anos mais tarde aquele livro idiota. Se tinha algo que Bohus odiaria, se ainda tivesse a consciência que deveria ter, era a Bíblia Sagrada do Deus-Fungo, mas Bohus já não lembrava mais que era o primeiro homem, os duendes mecânicos fizeram um bom serviço com ele.

Bohus estava lá muito antes do Deus-Fungo, viu o segundo homem surgir do nada e se tornaram amigos. Marcelo era divertido e não saberia dizer quanto tempo os dois ficaram lá, sozinhos. A vida era estranhamente calma, bem melhor do que de onde eles haviam saído, daquele mundo pútrido dominado pelo Deus-Fungo. Criaram palavras que aprendiam conforme sonhavam e viam coisas que não compreendiam muito bem. Comiam, falavam, transavam e ficavam bêbados, alterados com substâncias que estavam ali à vontade para eles. A vida era boa.

Foi só então que surgiu a primeira mulher, Zahrat, que as coisas ficaram complicadas. Bohus gostava dela e ela de Bohus, mas Marcelo não estava gostando nada de ficar de lado, vivia cada vez mais e mais bêbado e cada vez com menos sexo. Queria transar e Bohus só queria saber de foder com Zahrat, queria conversar e Bohus só queria saber de falar de Zahrat, queria companhia e Bohus só queria andar com Zahrat.

Marcelo entrou em uma loja que nunca havia notado, havia armas por toda a parede, mas ele não sabia para que serviam, demorou uns dois anos até que tenha entendido que precisava colocar balas dentro para que funcionassem direito. Queria matar Zahrat.

- Sua puta desgraçada – gritou ele apontando-lhe a arma – vou acabar com você!

- Está louco? – gritava Bohus de volta.

- Éramos felizes! Éramos felizes – era o que gritava Marcelo quando a arma disparou. Bohus entrou na frente e levou três disparos no peito, a dor era imensa, mas não morreu, já que a morte não ronda as entranhas do Edifício.

Marcelo tentou correr, mas Bohus o alcançou, mesmo com a dor que percorria todo o seu corpo que expelia as balas lentamente. Bohus esmurrava Marcelo inúmeras vezes enquanto ele chorava, tentava se desculpar enquanto engolia sangue e lágrimas. Por fim teve o coração arrancado, foi arrastado até o porão mais próximo e jogado no subterrâneo.

Muitos vieram depois, muitos já foram embora, mas os três permanecem no Edifício até hoje.

Gustavo Campello

quarta-feira, 3 de junho de 2015

PROMOÇÃO 5 ANOS 5 LIVROS (O RETRATO)



Quarto livro da promoção de cinco anos do blog, onde em cada mês irei sortear um livro até julho, quando o blog efetivamente faz aniversário. Em junho temos como quarto livro sorteado O RETRATO da escritora Olívia Freitas que nasceu em São Paulo, ganhou o Festival de Poesia da Escola da Vila em 2010, se dedica ao teatro no momento e vai pra Índia logo logo. É minha prima caçula, que apesar de sempre sermos distantes, temos nos aproximado bastante nos últimos anos. O livro da editora Patuá tem 112 páginas, espero que o(a) ganhador(a) goste!
O Retrato é um livro de poesia - 
A voz do retrato
reflete minh’alma,
trancada a sete chaves,
atrás de sete portas,
onde a primavera
descansa para sempre 
em paz.

O outono passou.
As folhas velaram as flores,
como se fossem moedas
para um barqueiro sem rumo. 

A promoção é fácil, pra participar tem que estar curtindo nossa página no Facebook clicando AQUI!, depois de curtir nossa página no Facebook é só compartilhar publicamente o banner igual ao da foto aí de cima e pronto, você automaticamente está participando do sorteio. Boa Sorte!