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domingo, 5 de março de 2017

RADIOHEAD



O Kraftwerk havia saído do palco, continuando a narração do dia 22 de março de 2009, a expectativa era para quando o Radiohead subisse e fizesse o show tão esperado. Parece que faz tão pouco tempo, mas na época as pessoas ainda usavam Orkut.

As pessoas sempre acharam Vitor parecido com o Thom Yorke, ele não se achava parecido, mas eram várias as pessoas que diziam “Nossa! Você parece aquele cantor do Radiohead”. Ele até tinha um olho maior que o outro, mas não tão evidente. Não se achava tão esquisito assim... mas beleza, melhor parecer o vocalista do Radiohead que o Lobão.

- Na Argentina os caras encerraram com Creep – disse Vitor se referindo ao show anterior da banda, fazia dezessete anos que eles não tocavam esta música.

- Sim, eu vi isso, faz anos que os caras não tocam... encerraram o show, acho que não vão ficar devendo essa pra gente. – disse Marcel

- Mas vão tocar mais músicas do Kid A, acho – completou Eurico – afinal, ainda hoje é o álbum mais vendido dos caras.

Era a turnê do In Rainbows, um excelente álbum, que Vitor andava ouvindo bastante, enquanto esperava Beatriz nas aulas de natação.

Quando o show começou já veio com 2 pés no peito com a barulhenta 15 Step, a música que abria o álbum da turnê, mas o show foi bem equilibrado, tocaram músicas de todos os álbuns, mas quase nada do Hail To The Thief (uma pena, pois Vitor adorava este álbum, mas não dava pra agradar todo mundo).

Mas o que dizer de um show do Radiohead? É tudo muito perfeito, parece um relógio atômico em ação. Tudo preciso e hipnótico. Os ataques epiléticos do Thom Yorke é só um algo a mais no meio de um baita show. Não tem muito como expressar, é só vendo pra entender, estando lá sentindo o ritmo, a música, o transe.

Quando chegou ao fim a música que representava toda a geração de que Vitor fez parte foi tocada ao vivo depois de dezessete anos, e depois de 2009 ela só foi tocada de novo sete anos depois: Creep.

But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here

Vitor era o chato, o estranho e não pertencia ao mundo que fazia parte. Quantos ali não eram como ele? Quantos ali não entendiam este sentimento? Marcel estava indo embora para o mundo “normal”: casa, família, filhos. Era o último show que veriam juntos... Vitor sabia disso... Marcel sabia disso... e assim foi.

Gustavo Campello

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

KRAFTWERK



Marcel estava casado e esperando sua primeira filha que iria nascer em breve, portanto sua esposa não poderia ir no show do Radiohead, tinha um ingresso sobrando.

- Fala, Marcel! – Vitor atendia o telefone após olhar no identificador de chamadas.

- Quer ir no show do Radiohead?

- Querer não é poder!

- Agora é, to com um ingresso sobrando!

Era uma espécie de despedida de solteiro do amigo de longa data, Vitor sabia que provavelmente jamais iriam a um show de novo. Marcel estava adentrando na vida de casado, com outras responsabilidades, de ser marido, pai e mais um monte de coisas que essas coisas acarretam. Vitor estava orgulhoso do amigo.

Foram em uma Van fretada naquele 22 de março de 2009, Vitor foi o último a chegar, atrasou porque foi almoçar com a namorada Beatriz. Estavam indo Vitor, Marcel e o irmão mais novo de Marcel, Eurico. Vitor se lembrava deste último como um pivetinho que curtiam zoar, mas já era um homem feito e iria acabar casando bem antes de Vitor.

Ficaram em um boteco algumas horas antes de entrar no Jockey Club, onde seria o show, beberam cerveja e colocaram o papo em dia. Marcel estava morando em Curitiba, bem longe de Vitor e sempre se viam esporadicamente agora.

A banda Los Hermanos abriu ao show e uma multidão gritava “Pedófilo!!!!”. Depois foi a vez do Kraftwerk entrar e aquilo não era mais um show, era uma aula de história da música eletrônica.

Começaram com The Man-Machine e durante todo o show, eles esqueceram completamente que era um show do Radiohead. Se a banda principal não pudesse se apresentar, aqueles velhacos imitando robôs já valia o ingresso. O show não foi curtinho, tocaram 13 músicas no total, passando pelos grandes sucessos da banda como Tour de France e Radioactivity, mas foi na primeira música do Bis que Vitor foi a loucura quando tocaram The Robots.

We're functioning automatic
And we are dancing mechanic
We are the robots
We are the robots
We are the robots
We are the robots

Era assim que Vitor andava vendo a humanidade, todos ligados no automático, todos como robôs sem emoções, sem sentimentos, frios como gelo.

Tocaram duas músicas depois, mas a mente de Vitor já divagava, olhando todas as pessoas a sua volta como autômatos, como seres mecânicos que não conseguiam pensar por si só. Será que estava sozinho no mundo?

Até hoje a resposta que guarda dentro de si é “sim”.

Gustavo Campello

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PLACEBO



Era o dia 27 de Abril de 2005, acontecia um evento histórico na cidade em que Vitor morava, o Placebo iria tocar e pela primeira vez não precisaria ir até São Paulo para assistir a um show. Vitor não era mais o cara que havia ido no Rock in Rio há quatro anos atrás. Estava casado com Elize e era pai de uma garotinha, mas o show tão próximo de onde morava não podia ser desperdiçado, Elize concordou que ambos iriam. Este foi o primeiro e único show em que os dois foram juntos.

- Olha essas meninas – disse Elize ao chegar no local – todas alternativas, do jeito que você gosta.

- Eu gosto de você – disse Vitor tentando burlar a insegurança da mulher, ele ainda não estava acostumado com a insegurança constante que paira sobre todas as mulheres que conheceu.

Alguns amigos dele estavam por lá, mas não conseguiu encontrar ninguém, Jorge ligou no seu celular, mas não conseguiram se achar. O show começou com a banda tocando Taste In Man.

Depois da terceira música, uma das preferidas de Vitor (Every You Every Me), Elize começou a reclamar que estava com dor de cabeça. “Qual a novidade?” Vitor pensou, ela sempre estava com dor de cabeça. Praticamente perderam a música Protect Me From What I Want para achar um lugar pra sentar, tinha uns lugares de camarote em um andar acima, onde podiam ficar sentados e tinham uma bela visão do palco.

Quando tocaram Without You I’m Nothing Vitor pulou da cadeira:

I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen
I seem to lose the power of speech
You're slipping slowly from my reach
You grow me like an evergreen
You've never seen the lonely me at all

Vitor se preocupava com a dor de cabeça de Elize, mas ao mesmo tempo sentia raiva por estar tão distante da multidão que pulava na pista, gostava daquela sensação, das cotoveladas, do suor se misturando, das vozes cantando juntas... ele pertencia a pista, ao amontoado de gente.

Elize estava emburrada, e o emburramento de Elize sempre afetava Vitor, talvez por isso que não deram certo, talvez se ele não ficasse tão afetado não haveria problema, mas ela ficava cada vez pior quanto mais afetado ele ficava e era um ciclo infinito pronto para explodir.

Foram embora discutindo aquele dia, por causa das meninas bonitas com botas e saias e que tinham um jeito de alternativas que Vitor não ligava à mínima, pois só tinha olhos para Elize.

Gustavo Campello

sexta-feira, 26 de junho de 2015

NEIL YOUNG



Foi em 1993, quando tinha 12 anos, que Vitor conheceu o Neil Young... bem, não que ele tenha conhecido pessoalmente, mas ouviu algo com ele, havia assistido um filme com o Tom Hanks e gostado muito. Comprou o CD do filme por causa de uma música do Bruce Springsteen que estava fazendo sucesso. Foi seu primeiro CD na vida, não havia comprado nenhum antes e muitos vieram depois. Mas sua música preferida não era a do Bruce que estourou, mas sim de um tal Neil Young, que nunca ouvira falar e cujo título tinha o mesmo nome do filme: Philadelphia.

O tempo passou e ele esqueceu do tal Neil Young até o ano de 1997, quando tinha 16 anos e descobriu uma banda dos anos 60 chamada Buffalo Springfield. Havia estreado na Sony a série Dark Skies, uma espécie de irmã mais nova de Arquivo X, o capítulo piloto terminava com o Buffalo Springfield tocando a famosa For What It’s Worth, mostrando os protagonistas na estrada fugindo de uma conspiração alienígena que havia matado o presidente Kennedy.

Vitor ficou obcecado por esta música e conseguiu o primeiro CD do Buffalo Springfield em arquivo digital no Napster. Não demorou muito pra descobrir que o guitarrista da banda era o Neil Young, mesmo cara daquela música que ele sabia cantar de cor do filme com o Tom Hanks. Descobriu ainda que ele também era o compositor de Cinnamon Girl, aquela música que o Type O Negative fazia cover no CD que ele tinha. Pronto, Neil Young era um cantor obrigatório a partir daí.

Quando ele confirmou presença no Rock in Rio III, Vitor sabia que faria de tudo pra assistir e que seria um show que contaria para seus netos (se viesse a tê-los um dia). Estava lá na grade, na primeira fileira, mas não tinha grandes expectativas, imaginou que por ele já estar velho, veria um show calmo de um velhinho sentado em um banquinho, fato que se mostrou completamente equivocado quando Neil entrou no palco tocando Sedan Delivery, aquilo sim era rock and roll baby, o resto é resto.

O cara parecia o Wolverine, envelheceu que nem vinho, pulava e tocava como ninguém, a guitarra era uma extensão do seu braço. Até hoje Vitor não deve ter visto um guitarrista ao vivo como ele. Já emendou a segunda música tocando Hey Hey, My My (Into The Black), uma das preferidas de Vitor.

Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye.
Hey hey, my my.

O Rock and Roll nunca esteve mais vivo. Veio Love and Only Love e na sequência Cinnamon Girl, tão conhecida de Vitor. Em determinado momento do show a corda da guitarra estourou, exatamente como acontecia com Vitor, mas com a diferença que esta talhou o braço de Neil Young, do cotovelo até metade do braço. Sangue escorria e pingava e o show não podia esperar, Neil Young continuou tocando ainda melhor do que antes, ignorando qualquer dor que pudesse estar sentindo. Vitor foi ao delírio, um monte de gente que estava longe nem devia ter reparado no fato, mas Vitor estava na primeira fila e assistia tudo aquilo guardando na memória cada segundo. O braço sangrando, Neil Young tocando guitarra e cantando Fuckin’ Up.

Foi um dos melhores shows que ele já assistiu, quando acabou ficou um gostinho de quero mais, por pelo menos mais duas horas seguidas. Encontrou Marcel e voltaram pra casa a quilômetros de distância. Havia acabado mais um dia de Rock in Rio, o último de Vitor. Hora de voltar pra realidade, encarar o cursinho e pensar no que diabos iria prestar no final do ano pro vestibular.

Gustavo Campello

quarta-feira, 27 de maio de 2015

SHERYL CROW



O próximo show já ia começar, Vitor chegou bem próximo da grade, só tinha umas garotas na sua frente. Sheryl Crow era a próxima atração, Vitor não tinha o perfil de que curtia este tipo de som, mas gostava bastante da cantora, tinha os CD’s Sheryl Crow (1996) e o The Globe Sessions (1998) e ela foi responsável pelo interesse de Vitor em cantores country como Johnny Cash, Willie Nelson ou Kris Kristofferson.

Ela entrou cantando A Change Would Do You Good do álbum de 1996, era ainda mais bonita pessoalmente. Um carioca com sotaque carregado começou a gritar:

- Gostosa, vem aqui que eu quero te comer!

O cara estava atrás de Vitor e não parava, atrapalhando o show de todo mundo, as garotas na frente de Vitor também olhavam pra trás irritadas. Era aquele tipo de público que foi no Rock In Rio III só pra dizer que foi, não tinha a mínima noção de quem estava tocando nos palcos desde o começo do dia.

Quando Sheryl Crow começou a segunda música All I Wanna Do, o cara até deu um sossego, devia conhecer a música das rádios, então deve ter parado pra ouvir. Vitor estava bem próximo dela, pode ver o show perfeitamente. Quando começou a cantar Leaving Las Vegas o cara voltou a gritar.

- Vem aqui que eu te quero, sua gostosa!

- Calaboca! – disse uma das garotas.

- Gostosa pra caralho! Vem aqui que vou te foder! – o cara ignorou a garota e continuou gritando. Vitor já estava perdendo a paciência.

Foi na quarta música, enquanto ela cantava It Don’t Hurt que Vitor se cansou de vez, enfiou o cotovelo com toda a força no estômago do sujeito, meteu o calcanhar com o coturno nos dedos do pé dele e acertou a parte de trás da sua cabeça no nariz do idiota. O cara nem viu o que o atingiu, foi bem rápido, antes que conseguisse estancar o sangue do nariz já estava sendo levado pra trás por uma falange de pessoas. Vitor tinha conseguido uma semi-briga em um show da Sheryl Crow, estava orgulhoso, enquanto isso ela cantava.

It Don't Hurt Like It Did
I Can Sing My Song Again
It Don't Hurt Like It Did
I Can Sing My Song Again

O show continuou sem nenhum imprevisto, ela cantou mais sete músicas, incluindo um cover do Guns N’ Roses, até encerrar com There Goes The Neighborhood. As garotas que estavam na frente de Vitor saíram depois do show e ele conseguiu chegar na grade. A grade, o grande trunfo do dia para assistir o maior show da noite, o grande motivo para ter feito Vitor ir até o Rock In Rio III. Ele segurou com as duas mãos e ninguém no mundo poderia tirar ele dali naquele momento.

Olhou pra trás e viu toda aquela multidão.

- Mordam-se de inveja seus putos, eu to na frente de todos vocês – pensou – o cara do seu lado sorria e devia pensar a mesma coisa.

Gustavo Campello

quinta-feira, 26 de março de 2015

DAVE MATTHEWS BAND



Dave Matthews Band foi a primeira banda internacional daquele segundo sábado do Rock in Rio III. Eles haviam acabado de gravar o álbum Everyday que seria ainda lançado no mês seguinte ao daquele show, porém não tocaram nenhuma música do álbum novo, nenhuma música inédita de presente para o público.

O show teve só oito músicas, mas as músicas eram bem mais incrementadas que nos álbuns com solos de contrabaixo, saxofone... enfim, a parte musical dos caras estavam em um nível bem acima de qualquer banda de rock convencional. Tinha harmônica, melodia, jazz, country, uma mistureba de ritmos e inovações.

Começaram com Two Steps e emendaram com Tripping Billies e mesmo não tendo causado alvoroço, agradou a maioria. Era um show mais pra assistir do que pra pular, o pessoal gingava ao som da música como se estivessem em um festival de jazz. As raízes do rock estavam todas ali, naquele show de uma banda que nem era assim tão conhecida no Brasil naquela época.

Lá pro final do show estavam tocando #41:

I will go in this way
And find my own way out
I won't tell you to be
But It's coming to much more
Me
Come down like ghosts come back
Reeling in you now
Oh, what if they came down crushing?

Quando a música acabou tocaram o que parecia ser o final do show, um cover de All Along The Watchtower, a galera pareceu ter acordado de um transe hipnótico e foi à loucura. Eles saíram do palco.

- Cara – disse Vitor para o Marcel – esse Dave Matthews é a cara do Jim Belushi.

- Hahahahahahahaha – o amigo concordava com ele – realmente, podia trabalhar de dublê.

- Poxa, eu curto o Jim Belushi, porque será que ele anda tão sumido?

- Ele fez uma continuação daquele filme com o pastor alemão recentemente e teve aquela mini série Wild Palms que tu me emprestou e não assisti ainda.

- Essa Wild Palms é do cacete! – Vitor vasculhou na memória mais alguma coisa recente do ator sem sucesso, mal sabiam que naquele mesmo ano James Belushi estrearia uma série para televisão que duraria oito temporadas – lembro que quando era moleque queria ser meio galhofa e cara de pau como ele nos filmes.

- Mas tu é meio galhofa e cara de pau que nem ele nos filmes.

Vitor era? Ficou pensativo e fazendo um rápido retrospecto de vida e viu que era mesmo. Havia atingido um objetivo e nem havia percebido.

Dave Matthews, o sósia do James Belushi, voltou ao palco e terminou o show tocando Ants Marching.

Gustavo Campello

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ROCK IN RIO III (2º SÁBADO)



Era o dia 20 de janeiro de 2001, Vitor nem imaginava que era o aniversário de quatro anos da sua filha. Filha que nem sabia que existia, que viria a conhecer só no ano seguinte. Era também o segundo sábado do Rock in Rio III, ele voltou para o Rio de Janeiro, desta vez com seu amigo Marcel. Havia acabado de conseguir um emprego na TelPhone S.A., uma empresa de celulares, começava a trabalhar na semana que vem.

Ele e Marcel foram em um ônibus sem ar condicionado, dos mais baratos. Depois do sábado anterior, não queria mais ser congelado durante horas na estrada. A primeira banda a tocar foi os Engenheiros do Hawaii, Vitor conhecia bem a banda, vivia indo em shows deles, entrava nos camarins e o vocalista Humberto Gessinger certa vez disse para Vitor que ele era a única pessoa que conhecia que havia nascido no mesmo dia que ele, mas tudo isso é assunto pra outra crônica. Vitor estava inclusive com a camiseta azul da banda que tem até hoje que havia ganhado de seu primo Giorgio.

O segundo show foi do Kid Abelha, era uma banda que Vitor e Marcel curtiam, mas definitivamente foi um dos piores shows que assistiram na vida. Eles não tinham a menor presença de palco, um show morto, sem empolgação nenhuma. Paula Toller estava linda, como sempre, e era só por causa disso que o show valia alguma coisa. O público parecia que estava morrendo, os casais se beijando e tudo parado. Acho que foi no show do Kid Abelha que todo mundo tirou uma pausa pra jantar.

- Agora é o show da Elba Ramalho com o Zé Ramalho – disse Marcel.

- Eles são parentes? – perguntou Vitor.

- Acho que são primos.

- Não são irmãos? – não estavam muito empolgados pra esse show, afinal estavam no Rock in Rio, o que cantores de MPB que misturavam um estilo nordestino tinham haver com rock? Queriam um show pesado, com o bom e velho rock ‘n roll.

Entraram no palco e definitivamente foi um dos melhores shows que Vitor já teve o prazer de assistir. O som estava pesado, eles conseguiram se moldar muito bem ao público que tinham, presença de palco impecável, não decepcionaram ninguém que estava ali. Acho que a maioria das pessoas foram pegas de surpresa com o show, foram fisgadas na hora. Elba e Zé simplesmente detonaram para a surpresa geral da nação. O público pulava, nem parecia o mesmo que estava acompanhando ao show morto do Kid Abelha. A galera foi à loucura, acho que até os músicos ficaram surpresos com a recepção (lembrando que o chato do Carlinhos Brown foi recepcionado com uma chuva de garrafinhas plásticas uns dias antes).

E assim terminaram os shows nacionais do palco principal, ainda assistiram a uns caras irlandeses em outro palco, mas Vitor não lembra mais o nome da banda. Ia começar as atrações principais, Vitor e Marcel foram adentrando no meio da multidão, rumo à grade.

Gustavo Campello

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

R.E.M.



“Todos os meus ídolos morreram de overdose” disse uma amiga de Vitor e Jorge certa vez, estavam em um bar e era tarde da noite. Vitor e Jorge se entreolharam, pensaram e Jorge falou:

- Os meus estão vivos e são tudo viado!

- Um brinde a isso – disse Vitor batendo o copo no do amigo.

Agora os dois amigos estavam lá no Rock in Rio III para ver a atração principal, um dos shows mais esperados durante grande parte da vida musical de Vitor. O R.E.M. finalmente estava vindo fazer um show no Brasil.

Michael Stipe havia assumido a homossexualidade fazia pouco tempo, entrou no palco com uma maquiagem azul cantando Finest Worksong. Aquele show era um sonho. O terceiro álbum que Vitor havia comprado na vida era o Monster do R.E.M., álbum que foi escutado compulsivamente durante muito tempo, um amigo pegou emprestado certa vez e sumiu, nunca mais viu o álbum ou o “amigo”.

Ele e Jorge estavam próximos à grade, não sabia mais onde seu primo Giorgio e a namorada estavam. A turnê era do álbum Up, com excelentes músicas, a primeira que eles tocaram do novo álbum no show foi Daysleeper e emendaram em The Great Beyond, que era uma música que gravaram para um filme com o Jim Carrey.

Michael Stipe se aproximou da grade e a mão de Vitor passou raspando na careca dele, quase consegue lhe acertar um tapão, por um triz. Ficou chateado pela chance desperdiçada.

O show durou 16 músicas, finalizaram com Man on The Moon, mas não podia ter acabado, faltava o bis. Voltaram tocando Everybody Hurts, a música mais sentimental de toda a história da música. Vitor chegava a chorar quando ouvia esta música de vez em quando. Foi realmente emocionante ouvi-la ao vivo.

'Cause everybodyhurts
Takecomfort in yourfriends
Everybodyhurts
Don'tthrowyour hand, oh, no
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
No, no, no, you're not alone

Seguiu-se tocando Pop Song 89 e finalizaram com a melhor de todas: It’s The End of the World as We Know It (And I Feel Fine). Vitor tentou decorar esta música certa vez, colocava no repeat do discman que ficava ao lado de sua cama e dormia ouvindo ela centenas de vezes. No ano seguinte quando reencontrou Elize chegou a conseguir cantar a música quase sem erros, detalhe para o “quase”.

Na hora de ir embora Vitor e Jorge erraram o ponto de encontro, que era mais pra cima. Giorgio e Edith ficaram esperando no lugar certo um bom tempo, até que Jorge se tocou que eles estavam no lugar errado e foram correndo encontrar o primo de Vitor e sua namorada. Edith tinha que trabalhar no dia seguinte e estavam atrasados para chegar até a rodoviária de ônibus. Pegaram um taxi que pagaram uma fortuna e chegaram em tempo. Giorgio e Edith foram no andar de baixo no ônibus que era leito, Jorge e Vitor foram em cima onde era mais barato e pros “pobre”.

O ar condicionado estava forte pra caralho, Vitor não se lembra de ter passado tanto frio na vida, nem quando dormiu perto de um rio marcando menos nove graus quando morou na Itália. Pensava em abraçar Jorge enquanto Jorge pensava em abraçar Vitor. O frio era insuportável, sentia que uma estalactite crescia na ponta de seu nariz. Quando saíram do ônibus agradeceu pelo calor insuportável que fazia lá fora.

Gustavo Campello

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

FOO FIGHTERS



Foo Fighters era a segunda banda principal da noite naquele Rock In Rio. A maioria das pessoas estavam ali pra verem a banda do ex-integrante do Nirvana, que vinha fazendo um sucesso estrondoso naquele ano. Um monte de fãs levados pela ação midiática de uma bandinha de rock que vivia nas paradas de sucesso. A música Learn To Fly estava em todas as paradas e todo poser que fingia entender de rock adorava o que era enfiado goela abaixo deles.

Não que Vitor não gostasse de Foo Fighters, mas Learn To Fly estava longe, muito longe, de ser a melhor música daquele álbum. Stacked Actors era a melhor música do álbum novo para o Vitor, mas ele sabia que ela nunca estaria entre as mais tocadas, tinha um peso de rock, violenta e agressiva como o Nirvana sabia fazer tão bem. Dave Grohl era o integrante do Nirvana que Vitor menos gostava.

A banda entrou tocando Breakout, uma ótima música pra se começar um show, mas daí já emendou nas duas mais fraquinhas, My Hero e Learn To Fly, talvez pra queimar a veia pop já no início e poder embarcar em um show de rock de verdade.  Lá pro meio do show tocou Stacked Actor e Vitor pode entrar em uma rodinha pra dar umas cotoveladas.

Stack dead actors, stacked to the rafters
Line up the bastards all I want is the truth
Hey, hey now, can you fake it,
Can you make it look like we want
Hey hey now, can you take it
And we cry when they all die blonde

Lá pro final do show a namorada de Grohl, integrante da banda Hole, entrou no palco com um bolo de aniversário cantando Happy Birthday para o líder da banda. Havia passado da meia noite, era 14 de Janeiro já, portanto Dave Grohl estava fazendo 32 anos. Vitor já tinha, nos dias de hoje, mais do que o Dave Grohl naquela noite. Vitor, naquele começo de 2001, tinha feito 20 anos não devia fazer três semanas, tanto ele quanto Dave Grohl eram capricornianos.

Tocaram ainda Monkey Wrench e Everlong pra fechar o show. Muitas pessoas estavam ali só pra ver o Foo Fighters, deu uma esvaziada e Vitor quase conseguiu chegar na grade.

Estava próximo de Jorge agora, haviam se separado durante o show do Foo Fighters, mas agora estavam lado a lado.

- Os carinhas estão vazando – disse Vitor.

- A molecada queria ver o Foo Fighters.

- Azar deles – disse Vitor – a melhor banda vem agora.

Uma das melhores bandas em atividade estava prestes a pisar no Rock In Rio III, Vitor e Jorge estavam empolgados, esperaram muito para assistir aquele espetáculo.

Gustavo Campello

terça-feira, 9 de setembro de 2014

BECK



O primeiro show principal internacional daquele Rock In Rio III era do Beck, um cara que vinha sendo chamado de o novo David Bowie, que estava revolucionando a música. Logicamente que uma comparação com o David Bowie era muito exagerada, mas o cara vinha realmente revolucionando em alguma coisa. Parece que foi caindo no ostracismo com o tempo, pois faz muito tempo que não escuto nada de novo dele, desde Everybody’s Got To Learn Sometimes que ficou famosa com o filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.

Antes de começar o show alguns idiotas faziam piadas infames como “Onde está o Beck?”, e riam procurando por algum baseado no bolso. Humor infantil. Vitor não tinha paciência pra este tipo de humor. Sentia certa vergonha alheia que o incomodava. Quando ninguém achava mais graça o idiota repetia “Onde está o Beck?” e ria sozinho.

Finalmente Beck entrou em cena tocando Novacane, seguida de The New Pollution. Ambas eram do álbum Odelay, seu trabalho mais famoso que havia sido lançado em 1996. O show teve mais músicas do Odelay do que do álbum Midnite Vultures que era mais recente. Beck ainda hoje grava suas músicas, neste ano de 2014 mesmo lançou o Morning Phase, mas naquele show parecia que ele meio que confirmava algo do tipo “Odelay é meu melhor álbum mesmo, então não vou cantar muitas músicas do álbum novo que não vale a pena”. E isto era estranho.

Logo em seguida tocou Loser, a música que o catapultou para o estrelato. Quem aqui viveu nos anos 90 e nunca ouviu Loser é porque estava passeando em alguma colônia em Marte na época. A galera foi a loucura. O idiota perto de Vitor dava uma tragada no baseado e falava alto pra ele mesmo “Putz, este Beck tá da hora!”.

Foi só na quarta música que o álbum novo deu as caras, com Mixed Bizness. Ele acabou tocando só mais duas dos novos sons, Nicotine & Gavy veio logo na sequencia e Milk & Honey foi tocada lá pro meio do show.

Mas foi com a música Tropicalia, no meio do show, que Beck pareceu se encaixar bem com o jeito abrasileirado do festival:

you're out of luck
you're singing funeral songs
to the studs
they're anabolic and bronze
they seem to strut
in their millennial fogs
'til they fall down and deflate

Devil’s Haircut parecia que ia fechar a noite, a música chegou a ser número 1 nas paradas da MTV aqui no Brasil. O show estava muito bom e ele resolveu dar um bônus pra galera com Where It’s At. Se despediu e Vitor, que estava no meio da galera, conseguiu chegar mais perto do palco quando todos começaram a correr pro banheiro.

Gustavo Campello

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ROCK IN RIO III (1º SÁBADO)



Foi um dos maiores eventos da década, aquele Rock in Rio III, mesmo tendo dias que não tinham nada haver com rock. Vitor, seu amigo Jorge e seu primo Giorgio com sua namorada Edith foram todos para o Rio de Janeiro. Era o dia 13 de Janeiro de 2001, Vitor havia largado a faculdade e já se preparava para começar ao cursinho no mês seguinte, estava com vontade de extravasar.

Quando chegaram à cidade do rock, o primeiro show já começara no palco principal. Cássia Eller estava cantando alguma de suas baladinhas.

- Eu que não quero ver isso – disse Vitor.

- Nem eu – confirmou Jorge.

Giorgio e a namorada se separaram ali, foram ver o show da Cássia Eller. Vitor e Jorge descobriram depois que ela arrancou a blusa e mostrou os peitos. Agradeceram aos céus por não terem ido naquele show. Ao invés disso estavam em um palco menor pulando ao show da banda Penélope, que era bem legalzinha e que havia sumido tão rápido como havia surgido.

Fernanda Abreu veio em seguida, Vitor quis ir ver o show, já que era apaixonado por ela. Em uma escala de mulheres bonitas, Fernanda Abreu vinha em segundo, logo após a Luciana Vendramini. Foi um show divertido, Evandro Mesquita fez uma participação especial relembrando os velhos tempos da banda Blitz, que tinha os dois em sua formação.

O calor era insuportável, um cara com uma mangueira molhava algumas poucas pessoas que conseguiam chegar próximo a ele. Vitor tirou a camiseta e tentou, sem sucesso, ser molhado. Um amigo de sua irmã viu Vitor na televisão em um flash ao vivo, inconfundível com aquele cabelo amarelo arrepiado no estilo Layne Stanley no álbum Dirty.

Quando o Barão Vermelho entrou em cena, já sabiam que era a hora da janta. Um show completamente dispensável. Tinham que se preparar pra chegar próximo ao palco durante os próximos dois shows seguidos.

O sol começava a se por no horizonte. A cerveja mais cara do mundo era vendida por ali. Um pedaço miserável de pizza tinha um valor, que se doado, poderia saciar uma pequena vila africana durante uma refeição. A cerveja nem estava tão boa, era de uma marca vagabunda, e a pizza parecia um pedaço de borracha bem fino.

Agora era começar a se enfiar na multidão e ir em direção ao palco. Os shows principais iriam começar. 

Gustavo Campello

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

MARKY RAMONE AND THE INTRUDERS



Vitor, Marcel e Jorge iam sempre naquele bar alternativo da cidade, chamava Ozz, era sujo, escuro e com pessoas iguais a eles. No fundo de um corredor tinha aquele saudoso quadro do Incrível Hulk e o palco era bem pequeno. Desta vez viria uma atração internacional pelo exorbitante preço de dez reais. Marky Ramone, aquele mesmo cara que foi baterista do Ramones, viria com sua banda, os The Intruders.

Vitor havia perdido o show do G.B.H. por estar muito doente, devia ter sido um show antológico naquele lugar, mas agora ele veria pelo menos um dos integrantes do Ramones tocar.

Chegando lá, o lugar estava lotado, os rostos conhecidos de sempre estavam marcando a presença habitual, mas tinha um monte de caras novas por ali. Pessoas que não frequentavam o Ozz, mas eram todos bem vindos. Vitor, Marcel e Jorge estavam com os ingressos garantidos.

O repertório cotinha algumas músicas famosas do Ramones, mas a maioria das músicas era do álbum The Answer To Your Problems? Que havia sido lançado no ano anterior. Vitor tinha apenas o primeiro álbum da banda.

Foi então que eles começaram a tocar Good Luck You’re Gonna Need It, parecia que tocavam para o Vitor, afinal sorte era uma coisa que ele acreditava que precisava muito. Tinha a teoria de que sofria de uma doença incurável denominada Azar Crônico. Não tinha sorte com empregos, não tinha sorte com mulheres, não tinha sorte com dinheiro, não tinha sorte com muita coisa.

You're looking for something you can't find
Life ain't no sixties rhyme
You're miserable and frustrated too, yeah
Nobody's wants to be with you
Complain and whine is all you do
No one's gonna listen to you
Invisible, we see right through you

Olhou para o lado e viu seus amigos pulando ao lado dele, tinha alguma sorte afinal.

Quando a música parou Marky Ramone arremessou a baqueta em direção a cabeça de Vitor, ele estava distraído. Olhou para frente e viu um objeto não identificado vindo em direção ao seu nariz. Abaixou à cabeça, o filho da puta que estava atrás dele pegou a baqueta.

- Azar Crônico – disse Vitor olhando para Jorge, era muito melhor ter tido as fuças arrebentadas pelo Marky Ramone, pegaria a baqueta e teria história pra contar.

Vitor e Jorge ficaram estarrecidos olhando para a baqueta com o moleque atrás deles. Marcel pulava e entrava em alguma rodinha de bate-cabeças que se formava.

Vitor achou melhor esquecer a baqueta e aproveitar o resto do show, Jorge concordou. Foram todos para a rodinha tomar uns socos e ganhar uns hematomas.

Gustavo Campello

terça-feira, 22 de julho de 2014

LOU REED



Vitor já curtia Lou Reed naquela época de faculdade. Os anos 2000 haviam chegado e os disco voadores continuavam a ser coisa do futuro.  Nesta época ele tinha uma conta de e-mail em um provedor argentino com sede em São Paulo, não lembrava mais o nome do provedor que nem existe mais. Entrou no e-mail e viu que tinha uma promoção pra ganhar um par de ingressos pro show do Lou Reed dia 14 de Novembro, na semana seguinte.

A promoção era simples, tinha que entrar em um questionário e responder cada uma das vinte perguntas em menos de dez segundos. Pra pessoa não ter tempo de procurar em sites de busca pelas respostas, obviamente. Cada pergunta tinha cinco opções  e era preciso marcar as certas.  Tinha perguntas simples como: Qual era a banda que Lou Reed fazia parte? (Velvet Underground, lógico!). Qual famoso artista promoveu a banda de Lou Reed no começo da carreira? (Dã! Andy Warhol, cadê as perguntas difíceis?). Tinha as perguntas médias como: Com quem Lou Reed é casado? (Como é mesmo o nome dela? Laurie Anderson! Lembrou ao ver na lista entre outros cinco nomes). E tinha as perguntas nível foda: Qual o nome do travesti com quem o músico foi casado? (E agora? Fodeu! Vou no Bob! Não, Bob não... Raquel é um nome mais simpático, vou chutar em Raquel mesmo!).

Bingo! Dois dias depois Vitor tinha ganhado a promoção. Nunca havia ganhado nada e agora tinha em mãos dois ingressos para ver o Lou Reed – Que Bob que nada. Raquel, seu travesti gostoso!

Vitor e Marcel foram até o Credicard Hall, a mesma casa de show em que havia assistido ao show do Blur. Tinha muitas mulheres bonitas por lá e antes que o Lou Reed subisse no palco foi arrebatado pela garota alta de olhos escuros com cabelo ondulado ao seu lado.

Antes que pudesse formular alguma coisa o show começava com Paranoia Key of E, a preferida de Vitor do álbum Ecstasy que era responsável pela turnê que estava assistindo.

Let's play a game the next time we meet, ah
I'll be the hands and you be the feet
And together we will keep the beat
To paranoia key of E

Sabia que era um show que diria para seus netos que havia assistido. Uma energia estranha percorria todo o seu corpo. Só iria sentir isso de novo no show do Neil Young, mas isto já é outra crônica.

Acompanhava ao show vidrado e ao mesmo tempo contemplava aquele anjo dançando músicas como Turn to Me e Modern Dance até chegar na Ecstasy. Ela se movia graciosamente ao ritmo da música. A garota definitivamente dava um toque a mais ao show. Tudo estava mais interessante. Vitor queria chegar nela, falar com ela, casar com ela e ir com ela até o Inferno se fosse preciso.

Foi depois de Turning Time Around que começou a tocar Romeo Had Juliette. Era agora! Ele era Romeu e ali estava sua Julieta... Parou em frente dela e ficou paralisado, ela continuava a dançar e obviamente já havia percebido aqueles olhos estatelados nela, quase que hipnotizados por seus movimentos. Ela sorriu. Algo dentro do cérebro de Vitor explodiu em milhares de fragmentos, aquele sorriso era o LSD da vida que faltava para torna-lo uma pessoa feliz e ela simplesmente continuava a dançar.

Quando Vitor percebeu cinco músicas já haviam passado e eles dançavam agora juntos enquanto Lou cantava a clássica Sweet Jane no começo do bis que acabou já na música seguinte com Dirty Blvd.

- Como assim um bis com duas músicas? – Vitor gritou para o palco enquanto ela ainda sorria olhando de soslaio para ele.

Lou não podia ir embora assim, não podia acabar com o show enquanto aquele casal queria desesperadamente dançar e cantar até morrer. E não parou. Começou Walk On the Wild Side e tanto Vitor como a garota se olhavam compenetrados, algo especial estava acontecendo ali. O show acabou com a música seguinte: Perfect Day.

Just a perfect day
You made me forget myself
I thought I was someone else
Someone good

Vitor chegou ao ouvido dela e perguntou: Qual seu nome?

- Sweet Jane – ela respondeu no seu ouvido, lhe deu um beijo e sumiu na mutidão.

Lou Reed ainda cantava Perfect Day no palco. Vitor nunca mais a viu.

Sua Sweet Jane.

Aquela mesma, que os vinhos e rosas celestiais parecem sussurrar quando sorri.

Gustavo Campello