sábado, 2 de maio de 2015

PROMOÇÃO 5 ANOS 5 LIVROS (NOITES DE ALFACE)



Terceiro livro da promoção de cinco anos do blog, onde em cada mês irei sortear um livro até julho, quando o blog efetivamente faz aniversário. Em maio temos como terceiro livro sorteado NOITES DE ALFACE da escritora Vanessa Barbara que nasceu em São Paulo da dimensão conhecida como Mandaqui, com quem já pude dar cambalhotas em um site sobre catalupos nos idos anos 90. O livro da editora Alfaguara tem 165 páginas, espero que o(a) ganhador(a) goste!

Noites de Alface - Noites de alface é um romance que trata de perda, solidão e das convivências diárias triviais, às quais se pode resumir e encerrar uma vida inteira. Até a inesperada morte de Ada, com quem Otto estava casado há mais de 50 anos, os dois compartilhavam cada detalhe de sua rotina banal: a disputa do pingue-pongue, os cuidados com o jardim, o preparo de couve-flor à milanesa, as longas noites de documentários sobre o reino animal. Agora, a solidão de Otto ocupava uma “casa de gavetas vazias”.

A promoção é fácil, pra participar tem que estar curtindo nossa página no Facebook clicando AQUI!, depois de curtir nossa página no Facebook é só compartilhar publicamente o banner igual ao da foto aí de cima e pronto, você automaticamente está participando do sorteio. Boa Sorte!

domingo, 19 de abril de 2015

SEM CORAÇÃO PRA VOCÊ!



Ele ainda sente alguma coisa porque seu coração foi arrancado há apenas dez minutos. Sente o desespero correndo por todo o seu corpo, sente as lágrimas brotarem de seus olhos, sente saudades daqueles que nunca mais vai ver e sente repulsa por onde se encontra.

“Malditos duendes mecânicos!” – pensa antes de sentir medo por ver que já há vermes brotando de sua pele – “que lugar escuro é aquele?”.

Um trilho de trem logo à frente, do outro lado ele vê os outros sem-coração como ele, andando apáticos pelo lugar. O trem chega, ele tenta entrar, mas o maquinista não deixa.

- Sinto muito, cara – ele diz – mas nada de sem-corações no meu trem!

Os olhos do maquinista sofrem de heterocromia, é a primeira coisa que ele consegue perceber dele, mas é empurrado pra fora antes que possa dar outra boa olhada.

Sente seu peito formigando, sente sede e sente fome.

O desespero diminui como todo o resto. Seus sentimentos já estão abandonando sua alma.

Um duende mecânico passa por perto dele, sente um calafrio, mas já não tão intenso.

- Devolvam meu coração! – ele grita chutando o ser metálico, ninguém vira o rosto para observar a cena, ninguém liga. O duende mecânico leva em consideração o fato do homem ter perdido o coração há pouco tempo.

Um homem ao seu lado come os vermes que brotam de seu antebraço, sente vontade de vomitar.

O trem vai embora sem levar ninguém, quase sempre é assim, mas o homem não sabe e daqui um tempo nem vai perceber o trem chegando mais. O submundo, o subterrâneo, o porão, a dimensão da passagem, o portão, o caminho... Aquele lugar é conhecido por inúmeros nomes, centenas deles. Um lugar que leva a todos os porões de cada casa construída no Edifício. O homem começa a tentar raciocinar que diabos de lugar é aquele, mas sua cabeça já não pensa tão bem.

Enfia a mão no buraco que tem no peito, os dedos passam por onde antes havia um coração. Sente repulsa, mas a sensação é agradável.

Trinta minutos depois de perder o coração o homem já anda em meio a multidão, comendo vermes, sem saber onde está, sem sentir nada, completamente apático, talvez para todo o sempre. Se algum dia um duende mecânico se sentir misericordioso em relação a ele, então talvez ganhe outro coração e tenha uma segunda chance, enquanto isso irá vagar por ali durante uns bons anos.

E o maquinista continuará indo e vindo, levando alguns poucos afortunados, mas nunca trazendo ninguém.

Gustavo Campello

quinta-feira, 2 de abril de 2015

PROMOÇÃO 5 ANOS 5 LIVROS (DIAS DE ROCK AND ROLL)



Segundo livro da promoção de cinco anos do blog, onde em cada mês irei sortear um livro até julho, quando o blog efetivamente faz aniversário. Em abril temos como segundo livro sorteado DIAS DE ROCK AND ROLL do escritor Edmilson Felipe que nasceu em São Paulo, com quem já pude tomar uma cerveja na Vila Madalena. O livro da editora Patuá tem 182 páginas, espero que o(a) ganhador(a) goste!

Dias de Rock and Roll' aciona o universo da contracultura, marcado pela rebeldia, desejo e muitas viagens. Anderson Vick é um espírito livre, protagonista desse romance-roteiro. Sem dinheiro, moradia e emprego fixos, topa qualquer parada para ganhar a vida e viajar. Mas nem tudo acontece como manda o script, pois nessas viagens, o andarilho depara-se com situações inusitadas, marcadas por sexo, fugas, sequestros e 'otras cositas más'. Ironia, humor e rock and roll devem marcar o estilo da narrativa, ambientada num Brasil que precisa ser redescoberto ou, quem sabe, escondido.

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quinta-feira, 26 de março de 2015

DAVE MATTHEWS BAND



Dave Matthews Band foi a primeira banda internacional daquele segundo sábado do Rock in Rio III. Eles haviam acabado de gravar o álbum Everyday que seria ainda lançado no mês seguinte ao daquele show, porém não tocaram nenhuma música do álbum novo, nenhuma música inédita de presente para o público.

O show teve só oito músicas, mas as músicas eram bem mais incrementadas que nos álbuns com solos de contrabaixo, saxofone... enfim, a parte musical dos caras estavam em um nível bem acima de qualquer banda de rock convencional. Tinha harmônica, melodia, jazz, country, uma mistureba de ritmos e inovações.

Começaram com Two Steps e emendaram com Tripping Billies e mesmo não tendo causado alvoroço, agradou a maioria. Era um show mais pra assistir do que pra pular, o pessoal gingava ao som da música como se estivessem em um festival de jazz. As raízes do rock estavam todas ali, naquele show de uma banda que nem era assim tão conhecida no Brasil naquela época.

Lá pro final do show estavam tocando #41:

I will go in this way
And find my own way out
I won't tell you to be
But It's coming to much more
Me
Come down like ghosts come back
Reeling in you now
Oh, what if they came down crushing?

Quando a música acabou tocaram o que parecia ser o final do show, um cover de All Along The Watchtower, a galera pareceu ter acordado de um transe hipnótico e foi à loucura. Eles saíram do palco.

- Cara – disse Vitor para o Marcel – esse Dave Matthews é a cara do Jim Belushi.

- Hahahahahahahaha – o amigo concordava com ele – realmente, podia trabalhar de dublê.

- Poxa, eu curto o Jim Belushi, porque será que ele anda tão sumido?

- Ele fez uma continuação daquele filme com o pastor alemão recentemente e teve aquela mini série Wild Palms que tu me emprestou e não assisti ainda.

- Essa Wild Palms é do cacete! – Vitor vasculhou na memória mais alguma coisa recente do ator sem sucesso, mal sabiam que naquele mesmo ano James Belushi estrearia uma série para televisão que duraria oito temporadas – lembro que quando era moleque queria ser meio galhofa e cara de pau como ele nos filmes.

- Mas tu é meio galhofa e cara de pau que nem ele nos filmes.

Vitor era? Ficou pensativo e fazendo um rápido retrospecto de vida e viu que era mesmo. Havia atingido um objetivo e nem havia percebido.

Dave Matthews, o sósia do James Belushi, voltou ao palco e terminou o show tocando Ants Marching.

Gustavo Campello

quinta-feira, 19 de março de 2015

ZLATKO



Zlatko come um snack, desses que se acha em qualquer lugar para pegar. Ele não pensa. Tudo o que passa pelo cérebro dele é um fluxo contínuo do coletivo. Ele não é um indivíduo. O membro mais distante de todos os outros do Formigas de Mercúrio. Zlatko faz parte da consciência coletiva, pensa igual todo mundo e vive igual todo mundo. De todos os membros da banda é o que vive no Edifício há mais tempo que qualquer outra pessoa conhecida, já fazia uns mil anos? Talvez um pouco mais ou talvez um pouco menos.

Só está no grupo porque toca baixo como ninguém, o instrumento é a única coisa que difere ele dos despertos e dos seres sem coração que vivem com vermes crescendo em seus braços. O instrumento é uma extensão de seu corpo, ele sente como se sofresse uma simbiose enquanto seus dedos tocam as quatro cordas.

Ele nãos se preocupa com o Deus-Fungo, não se preocupa com os duendes mecânicos, com o Edifício, de onde veio ou para onde vai. Zlatko só quer tocar seu baixo, todo sábado às 10:15pm.

Se um médico tirasse uma radiografia da sua cabeça, o que ele veria?

Cogumelos, cogumelos e cogumelos por toda parte! Deus-Fungo é onipresente em Zlatko. Todos tem aquele medo interno de falar qualquer coisa na frente dele. É um frio na espinha que ninguém sabe explicar. Zlatko não é o Deus-Fungo, mas é um agente de longa data, infectado em todo o seu cérebro. Coitado. Pobre Zlatko.

Faça isso! Faça aquilo! Coma! Viva feliz! Não faça perguntas! Bom menino! Sirva de alimento ao grande Deus-Fungo que usa seu cérebro como motel de vez em quando.

Zlatko é um pobre coitado, faz parte da massa, sua vida nunca vai mudar. Quando o Formigas de Mercúrio não existir mais ele vai continuar por aí, em outra banda, em uma carreira solo. Quem sabe? Remando junto com a galera, sempre em favor da correnteza.

Ele é carismático, é o cara que pega as garotas. Tem pose de guitarrista, todos os fãs do Formigas de Mercúrio lembram dele antes de Ferzan. Coisa estranha. O guitarrista costuma ser lembrado antes, não? Competir com Zlatko é difícil, é carismático mesmo sento calvo. Não me pergunte o que carismático tem haver com calvície. Ferzan raspa a cabeça porque quer, ou não? Zlatko deixa os cabelos do lado, que se dane o aeroporto de mosquito em cima!

Foda-se o Deus-Fungo! Foda-se o duendes mecânicos! Zlatko quer se divertir! Sem pensar, sem se comprometer! Nada vai mudar... Nunca!

Gustavo Campello

quarta-feira, 11 de março de 2015

EU FUI SPOCK



Dedicado a Leonard Nimoy

E morreu uma lenda, sempre achei uma tremenda idiotice essas pessoas que se apegam a ídolos e se sentem parentes e pessoas próximas deles, choram quando morrem e coisa e tal, daí o Lou Reed morreu e entendi mais ou menos tudo isso.

O fato é que eu era uma criança esquisita, viciada nas séries Os Invasores e Jornada nas Estrelas enquanto todo mundo ia a festinhas e só pensava em pegar garotas. A verdade é que aos 13 anos uma garota destruiu meu coração, depois de uma semana de muita coisa rolando em um quarto de hotel em uma excursão com meus avós, não estava preparado quando ela me deu um pé na bunda, deve ter sido ainda pior do que minha memória me permite lembrar, porque mesmo depois de vinte anos ainda lembro o nome inteiro e do endereço completo dela.

Então larguei tudo e virei o Spock, isso mesmo, eu fui o Spock. 14 anos de idade, sem sentimentos, sem laços sentimentais e olhando tudo pelo lado lógico. Spock era o meu ideal, um objetivo a ser alcançado, um muro que me protegia do que tinha lá fora. Iniciei meu Kolinahr e minha vida nunca mais foi a mesma. Perdi minha adolescência, a verdade é essa, mas não é qualquer um que pode dizer que já foi o Spock. Arrependimentos? Com certeza, mas a vida segue e carrego o Spock como um estigma de anos grudado no meu ser.

Quando recebi a notícia de que ele havia morrido foi meio que um choque, era como se tivesse morrido uma espécie de tutor, algo assim. Chorar? Seria ilógico. Pra que diabos eu treinei durante anos pra nem sequer sentir cócegas e chorar agora? A verdade é que eu não sou mais o Spock, depois de muita terapia é claro, mas é uma parte de mim, eu gostando ou não.

Assisti dois capítulos da série clássica neste dia e percebi que o Spock não havia morrido, quem morreu foi um ator chamado Leonard Nimoy, que teve uma enorme importância na minha vida e de milhares de outras pessoas, o Spock continua vivinho da silva em séries, livros, quadrinhos e filmes.

Que a memória deste ator possa continuar tendo uma vida longa e próspera dentro de nossos corações (independente do quanto tentamos fingir que não sentimos nada).

Gustavo Campello

quarta-feira, 4 de março de 2015

PROMOÇÃO 5 ANOS 5 LIVROS (UM DETALHE EM H)



Este ano o Blog faz 5 anos, sendo assim lanço agora a promoção 5 ANOS 5 LIVROS, onde em cada mês irei sortear um livro até julho, quando o blog efetivamente faz aniversário. Em março temos como primeiro livro sorteado UM DETALHE EM H, do escritor Fernando de Mendonça que nasceu em São Caetano do Sul, mas reside hoje lá em Recife (terra do meu avô). O livro da editora Paés tem 122 páginas, espero que o(a) ganhador(a) goste!

Um Detalhe em H - Sozinho, o jovem Hugo vasculha a memória em busca de um detalhe. Atravessa o passado e redescobre o corpo para entender qual foi o ponto de ruptura, a intensidade do tempo responsável pela transformação. Existe a suspeita, o medo de confirmar o que não gostaria, mas , também, a coragem de se mirar no espelho e assim envolver a linguagem. Talvez numa letra, em um nome próprio, ou, quem sabe, no espaço em branco de uma papel; em algum lugar se dará a revelação.

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